terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Imagem e Representação

Indico, aqui, um texto muito bom para quem quer aprofundar sobre a temática da Imitação que tratamos anteriormente. É o livro Piaget: imagem mental e construção do conhecimento.



A sinópse do livro nos diz que:

A finalidade desta obra é estabelecer as relações entre a representação imagética, ou imagem mental (IM), e a construção do conhecimento na criança, ou seja, o papel da imagem mental na formação do conhecimento do mundo real, segundo a Psicologia e Epistemologia genética de Jean Piaget. A partir do percurso detalhado de toda a ampla e fecunda obra de Piaget, o autor contribui efetivamente ao expor, integral e ordenadamente, os fundamentos dos trabalhos que tem realizado, como pesquisas de diagnóstico e intervenção, com crianças marginalizadas, abrindo uma nova perspectiva para a reeducação de crianças com graves deficiências na formação das estruturas operatórias elementares, devido ao comprometimento no nível do pensamento representativo. Este livro interessa tanto do ponto de vista teórico como por suas implicações na prática psicopedagógica.
Fundamental para quem quer ter uma aproximação à teoria piagetiana, mas prefere um caminho mais suave que os próprios textos de Piaget.

Vale a leitura!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Matrix on Windwos XP

Olá! Vi no site Br-Linux, achei muito interessante e resolvi compartilhar.




Divirtam-se

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Imitação, só é interna mais tarde

Sem muito o que fazer no domingo, dia que tiro para descansar e, por isso, não estava estudando. Acabei por assistir ao Fantástico. Um show de inutilidades, mas que acaba por aliviar a tensão de uma atividade acadêmica intensa (é as vezes o besteirol nos ajuda ;-).

Bem, críticas à parte me chamou a atenção um novo quadro que pretende falar sobre neurociências, mais precisamente sobre o funcionamento do cérebro. E, das duas reportagens que foram apresentadas uma, em particular me chamou a atenção, que fala sobre a questão de bocejarmos simplesmente quando vemos alguém, ou mesmo um animal bocejando ou até mesmo quando vemos a foto de um bocejo. A reportagem pode ser vista no vídeo abaixo.




Não vou elencar aqui todos os argumentos, pois poderão ser analisados na própria reportagem. Mas um me chamou muito a atenção, quado ela diz:
Algumas imitações se exteriorizam, viram gestos. Mas a maioria acontece só no cérebro. Mais especificamente, no cortéx pré-motor, onde ficam os neurônios-espelho, que têm esse nome justamente porque refletem as ações que vemos
Nessa argumento, ela passa a informação de que somente algumas das imitações se exteriorizam enquanto gestos, enquanto comportamentos. O restante seriam internas, acontecendo somente no cérebro. Bem, se isso acontece, só podemos afirmá-lo para o caso da vida adulta, onde o sujeito já está totalmente formado. Pois, a Epistemologia Genética nos deixa claro que as primeiras imitações, que ocorrem ainda no período sensório-motor, são totalmente externas, são imitações de comportamentos e gestos realizados pela criança, de forma externa e não interna.

A internalização da imitação é que da origem, segundo a Epistemologia Genética, ao pensamento. A coordenação dos esquemas motores que permitem à criança imitar, externamente, pelo comportamento, o que acontece à sua volta e, só posteriormente é que ela terá condições de executar as imitações de forma internalizada.

Portanto, apesar de ser uma meia-verdade, pois fala do que acontece no indivíduo adulto já constituído, a reportagem peca por trazer uma informação que não é 100% correta. Principalmente ao mostrar crianças imitando, o que eu julgaria ser uma contradição performativa, pois afirma que somente algumas imitações se exteriorizam, mas mostram crianças imitando e externamente, ou seja, por comportamento!!!

sábado, 1 de novembro de 2008

As vezes acontece

Minha experiência com o Kubuntu tem sido muito interessante como mencionei em post anterior, contudo as vezes pequenos problemas acontecem. Ai é que temos outra grande vantagem do Software Livre: a comunidade.

Estava com o seguinte problema: após a inicialização do meu computador, minha tela dava algumas piscadelas chatas a intevá-los de 10 em 10s, algo realmente muito estranho. A configuração do monitor estava correta, tanto na resolução quanto na atualização do mesmo.

Bem, fiz contato com listas, foruns e no canal IRC #kde-brasil (pois no Kubuntu o ambiente gráfico é o KDE) o piacetini me deu a dica de um blog gringo que teria uma possível solução, pois problema semelhante acontecia ao ter ligados dois monitores simultaneamente. Bem a solução segue abaixo:
  1. Entrar em Configuração do Sistema;
  2. Selecionar a aba Avançado;
  3. Selecionar o Gerenciador de Serviços;
  4. Parar o serviço e desmarcar o 'check box' do Detecting RANDR (monitor) Changes;
  5. Aplicar;
  6. Salvar configuração.
Pronto, nada absurdo, mas claro que dependeu, principalmente, da ativa e muito competente comunidade de usuários do Kubuntu e do KDE. Normalmente com software proprietário, o qual vc tem que pagar por uma licença de uso e, também, pagar por suporte. Agora e se for uma cópia ilegal onde vc encontrará suporte para sanar problemas como esse?

Kubuntu - Uma opção para Liberdade

Tenho utilizado já a algum tempo o sistema operacional Linux, em sua distribuição Ubuntu! Tem sido uma experiência muito interessante e tem me suprido em todas as necessidades de uso do computador, além de se mostrar muito, mas muito mais fácil de se utilizar do que imaginamos.

Um dos primeiros mitos que desabou - e como filósofo temos a função de compreender o mito, mas substituí-lo por uma explicação racional - foi o mito da dificuldade de se utilizar um sistema Linux. O Ubuntu, com o ambiente gráfico Gnome e o Kubuntu, que é a mesma distribuição mas com ambiente gráfico KDE, são muito fáceis de se usar e de se configurar. Não tive problemas com absolutamente nada em meu computador, tudo foi reconhecido automaticamente: som, vídeo, rede, wireless, touchepad (pois uso um notebook!!), enfim, tudo foi automaticamente reconhecido e estava pronto para uso logo após a instalação do sistema.

Num primeiro momento utilizei o Ubuntu, com ambiente gráfico Gnome. É interessante, leve e muit intuitivo. Contudo, por questão de pura estética preferi fazer a migração para o Kubuntu. Nisso vemos mais uma vez as vantagens da Liberdade que temos com o Software Livre, pois eu não precisei gastar com duas licenças só para experimentar dois ambientes gráficos de uma distribuição Linux. Simplesmente fiz o download e as instalei no meu micro. Sem custo e, vejam bem, sem que isso fosse pirataria, pois ambos Ubuntu e Kubuntu são Softwares Livres e gratuítos.

Não sinto falta de absolutamente nada do Windows, uso o OpenOffice, em sua versão brasileira chamada BROffice, como substituto da suite de aplicativos para escritório (editor de texto, planilha eletrônica e gerador de apresentações/slides), mas como tenho utilizado muito mais o sistema de composição em LaTeX até mesmo para gerar minhas apresentações não sinto a menor falta desses aplicativos.

Aqui uma imagem de minha atual área de trabalho no Kubuntu 8.10




Bem, é uma experiência que recomendo fortemente. Pois nos sentimos mais donos de nossas máquinas, pois o sistema operacional Linux considera que existe um usuário do outro lado e, por isso, não faz tudo sozinho e, muito menos, permite que sejam instaladas coisas automaticamente, mas há a necessidade de permissão para se fazer isso. Tais permissões são dadas pelo nível de usuário e somente o usuário Administrador é que pode fazer tais instalações. Quando entramos no sistema não entramos como Administrador e sim como um usuário comum, ou seja, sem muitos privilégios o que protege o sistema de virus e scripts maliciosos que se aproveitam das falhas, mas principalmente pelo fato de alguns sistemas operacionais terem como padrão a entrada já com o usuário Administrador o que permite que scritps automáticos executem tarefas que seriam restritas se fossem de outros níveis os usuários logados no sistema.

Usabilidade, segurança e liberdade sem um alto custo, e dependendo da distribuição, e a Ubuntu/Kubuntu é uma delas, é totalmente de graça. Essas são as vantagens de se utilizar não só o Sistema Operacional mas todos os outros sofwares em Código Aberto e Software Livre.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Folk Psychology ou, simplesmente, Psicologia Popular

Para compreender o comportamento humano, a partir dos estados mentais, são utilizadas muitas terminologias, tais como: psicologia da crença-desejo, psicologia do senso comum; mas a consagrada pela literatura especializada é a Folk Psychology, ou numa tradução um tanto grosseira: Psicologia Popular.

Segundo a Enciclopédia das Ciências Cognitivas do Instituto Tecnológico de Massachusetts, Folk Psychology é uma psicologia do senso comum que procura explicar o comportamento humano em termos de crenças, desejos, intenções, ou seja, em termos de estados mentais.

O pesquisador da Universidade de Nijmegen, Holanda, Prof. Willem F. G. Haselager nos diz que, a Folk Psychology é caracterizada pelo uso de um vocabulário em que conceitos mentais como "crença", "desejo" etc., são utilizados grandemente, de modo que podemos compreendê-la como uma busca por descrever o comportamento humano a partir de um vocabulário próprio que tem nas expressões ligadas aos estados mentais suas grandes representantes.

Assim, a Folk Psychology adota os conceitos provenientes dos estados mentais de conteúdo proposicional e, portanto, possibilita que os mesmos sejam passíveis de avaliação semântica, além do fato de terem o poder causal, ou seja, a capacidade de um estado mental ser a causa de um comportamento específico, como, por exemplo, as chamadas doenças psicosomáticas.

Desse modo, compreendida a Folk Psychology, nos dá quatro características centrais para os estados mentais, a saber:

  1. Os estados mentais têm conteúdo;
  2. Os estados mentais podem nos levar a diferentes atitudes em relação ao seu conteúdo;
  3. Os estados mentais desempenham um papel explicativo na Folk Psychology
  4. Os estados mentais são funcionalmente distintos.
Contudo, existem teóricos que rechaçam a Folk Psychology, e defendem a necessidade da elminação de sua terminologia para que tenhamos um vocabulário mais apropriado para a descrição do comportamento humano, pois o vocabulário originado dos estados mentais não possui uma existência real e, por outro lado, a neurofisiologia contemporânea mostra que não há estados intencionais desse tipo, mas somente neurônios, sinapses, ou seja, configurações materiais no cérebro.

O que nos leva a concluir que não existe nenhuma possibilidade de conciliação implicando na eliminação do vocuabulário mentalista ao se fazer ciência cognitiva ou filosofia da mente.

Popularmente não há problemas em se utilizar do vocabulŕio mentalista para se referir a estados mentais, mas é interessante sabermos que muitas vezes quando falamos que uma pessoa tem medo do escuro estamos utilizando um vocabulário impróprio para a descrição de tal comportamento.

sábado, 11 de outubro de 2008

Chegamos ao fim do XIII Encontro Nacional da ANPOF

É, nem tudo que é bom é para sempre, na verdade a grande maioria das coisas boas da vida são efemeras.

O XIII Encontro Nacional de Filosofia da ANPOF, na minha avaliação, foi um sucesso. Foram momentos de rica troca de conhecimentos com as comunicações, mini-cursos e plenários e, mais rico ainda, o intercâmbio que se deu nos momentos informais como almoços, caminhadas, conversas de corredor, enfim, contatos em geral.

Saldo mais que positivo e desafio para a nova diretoria para o próximo, pois quanto melhor é um evento mais desafios tem a organização para trabalhar e fazer um evento ainda melhor.

Canela-RS respirou filosofia intensamente por uma semana. Nos bares, restaurantes, lanchonetes, etc. Em todos os lugares havia grupos de filósofos conversando sobre seus trabalhos de pesquisa a ponto de ter ouvido o seguinte comentário de um dono de lanchonete: "Bah! Vocês estão revolucionando Canela, afinal agora sirvo mesas em que o papo é de um nível totalmente diferente do que estamos acostumados"...

Que realmente a filosofia promova essa revolução no pensar e na maneira de ver o mundo das pessoas que estão à nossa volta. E que tenhamos, cada vez mais, cidadãos e cidadãs críticos e esclarecidos que contribuam para uma sociedade mais justa.

Sigamos em frente, pois a vida volta ao normal!!!