Espaço ao qual dedicarei parte de minha produção intelectual. Seja em termos de pequenas resenhas, comentários e pensamentos próprios! É um espaço onde, também, divulgarei minhas pesquisas.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Programa Disciplina Metodologia e Prática de Pesquisa em Filosofia II
Disponibilizo o Programa da disciplina de Metodologia e Prática de Pesquisa em Filosofia II.
Sempre que possível postarei novidades sobre a disciplina por aqui e podem usar os comentários do blog para colocar dúvidas e sugestões.
Abraços!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Por que as regiões: Norte, Nordeste ou Centro-Oeste!?!
Por que motivo nossos amigos pós-graduandos são tão resistentes em sair de São Paulo? Você não acha que o Brasil precisa ser desbravado por mentes capazes para que centros de excelência também passem a existir fora dos grandes centros?
Duas questões em uma, e uma melhor que a outra.
Vamos à primeira: Por que motivo nossos amigos pós-graduandos são tão resistentes em sair de São Paulo?
Primeiramente é puro preconceito. Quando eu mencionava que havia passado no concurso na Fundação Universidade Federal de Rondônia o susto sempre era muito grande. O pessoal pensa, principalmente da Região Norte, como Americanos e Europeus pensam do Brasil como um todo, ou seja, que aqui só tem índio, mata e onça. Puro preconceito, falam sem conhecimento de causa, nunca vieram pra cá e falam essas bobagens. Pensam haver dificuldades de acesso à internet e temos sim, mas as mesmas dificuldades que eu encontrei em São Manuel-SP e até mesmo em Londrina-PR, mas que com certeza são contornáveis. Se não fosse contornável eu não teria condições de responder a essa questão no Formspring! E tantas outras bobagens que é puro folclore e puro preconceito com relação às regiões: Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Bem, a única coisa que não é preconceito ou folclore é a questão da distância. Sim, estamos longe de mais das capitais, cerca de 3025 Km entre Porto Velho e São Paulo e sabemos que os eventos ocorrem no eixo São Paulo - Porto Alegre - Rio de Janeiro e Belo Horizonte, esse seria o eixo de acontecimentos acadêmicos. Esse sim é um problema, contudo profundamente contornável. Afinal se as mentes pensantes desbravássem nossas regiões, logo teríamos eventos tão bons e de repercusão que eles que teriam que vir até nós.
Só para ter uma ideia, o pessoal hoje que discute Ética e Bioética terá que voltar seus olhos para a Região Norte, afinal discutir bioética no ambito da biotecnologia não pode desprezar a região amazônica.
Outra coisa, eu que vim a tão pouco tempo pra cá já estou criando o Centro de Epistemologia Genética da Região Amazônica - CEGRA, que com certeza será, em médio prazo, um centro de referência de estudos piagetianos no Brasil, assim como hoje temos o GEPEGE em Marília e o NEEGE em Porto Alegre.
Quanto à segunda pergunta: Você não acha que o Brasil precisa ser desbravado por mentes capazes para que centros de excelência também passem a existir fora dos grandes centros?
É óbvio que precisa, e isso acaba tendo os mesmos argumentos da primeira pergunta. O que falta é que se quebre o prconceito existente, de se pensar que só em São Paulo/Rio é que as coisas acontecem, não, não é por ai. As coisas acontecem onde nós fazemos as coisas acontecerem. Temos plenas condinções de fazer as coisas acontecerem nas regiões mais distantes o que falta é força de vontade e quebra do preconceito. Acredito tanto nisso que estou investindo meu tempo e energia na criação do CEGRA (como disse acima!!)
Enfim, infelzimente mentes capazes ainda podem ser preconceituosas e não conseguem deixar de enxergar apenas crise e problemas, sem ver que onde existe crise e problemas é onde existe oportunidade de construção. De podermos realizar, por nós mesmos, o que achamos que é bom e não ficar na dependência dos chamados grandes centros para que participemos do que eles promovem. Temos que deixar essa mentalidade tacanha de lado e entender que se queremos que algo de bom aconteça nós é que devemos fazer acontecer, estando em regiões distantes ou nos grandes centros.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Por que Estudar Filosofia?
De forma direta quem faz essa pergunta indiretamente já induziu a uma resposta, ou seja, estuda-se Filosofia para se conhecer a verdade! Eu diria que não é bem o caso. Mesmo porque a Filosofia é a arte de fazer perguntas e não de fornecer respostas. É claro que quanto melhor você faz suas perguntas a correção de sua resposta será, estatisticamente, maior.
Como tenho influência kantiana em minha formação, além,claro da grande influência piagetiana, eu diria que não se estuda filosofia para aprender a filosofia, mas se estuda filosofia para aprender a filosofar. Filosofar é uma atitude e não o acúmulo de conhecimentos. É uma ação diferenciada diante do mundo. Uma ação crítica diante das supostas "verdades" que nos são apresentadas diariamente. Por isso, o porquê estudar filosofia não é, pura e simplesmente, para conhecer a verdade, mas para saber perguntar, diante das "verdades" estabelecidas e, com isso ter uma atitude crítica.
Assim, conhecer a verdade não é o objetivo último da Filosofia, mas sim, preparar pessoas com uma atitude crítica. Pois não se aprende filosofia mas sim a Filosofar!
Tanto é assim, que diante da pergunta que pretende ser resposta a essa, ou seja, "Conhecer a verdade", a primeira coisa que o filósofo faz não é dizer que sim, que se estuda filosofia para se conhecer a verdade, mas devolve a pergunta: "o que é a verdade?". Essa é, talvez, a pergunta mais difícil a ser respondida, buscam resposta a ela a pelo menos 2500 anos, ou seja, a própria Filosofia nasce tentando responder a essa pergunta, várias possibilidades surgiram, mas nenhuma satisfez, pois sempre surge uma nova pergunta que coloca em cheque a resposta vigente.
Quanto ao valor da verdade, ou que ninguém lhe dá o devido valor... o grande problema ai é a absolutização de uma posição, ou seja, a imposição de uma "possibilidade de verdade" que deve ser aceita e seguida por todos indistintamente, mas quem disse que as coisas devem ser assim? Não há uma verdade absoluta, não há padrões absolutos que devem ser seguidos a risca por todos em todo lugar a qualquer tempo. Somos livres, autonomos e racionais e isso nos dá condições de agirmos por nós mesmos. No site http://unir.academia.edu/vicentemarcal tem um texto meu sobre o "Desenvolvimento Moral: Fim último do ser racional", em que, seguindo a argumentação kantiana, traço como nossa racionalidade chega à leis universais de conduta. Acredito que lá temos mais subsídios para entender todo esse processo. Pois o que é universal e necessário é a racionalidade e é ela que nos dá condições de estabelecermos a nós mesmos as leis que vamos seguir e isso é o que chamamos de autonomia!
A questão proposta é extremamente ampla e complexa, mas espero que nessas poucas palavras posso ter lançado luz na busca do esclarecimento!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
2009: Crise?? Não, conquistas!!
Contudo, para mim o 2009 foi um ano de conquistas. E, inspirado no texto do Blog de meu amigo Marcos Souza, resolvi postar em forma de retrospectiva como foi mais de conquistas do que de crise o meu ano de 2009.
Em fevereiro defendo minha dissertação de mestrado intitulada: "O Esquema de Ação e a Constituição do Sujeito Epistêmico: Contribuições da Epistemologia Genética à Teoria do Conhecimento", diante de uma banca, digamos, "peso-pesado" com Dr. Ricardo P. Tassinari (orientador), Dr. Adrián Oscar Dongo Montoya e Dr. André Leclerc, que aprovaram meu trabalho e me encheram de desafios para continuar na pesquisa. Abaixo uma foto com a minha banca:
Final de março presto concurso para professor na Universidade Federal de Rondônia, passando em segundo lugar. O que me deixa extremamente feliz, afinal o concurso era para duas vagas. Pois bem, em 8 de julho sou nomeado no Diário Oficial da União e no dia 24 de Julho tomo posse, como podem ver na foto abaixo, onde estou assinando o termo de posse:
As conquistas só estão começando. Mudança para Porto Velho, aproximação a velhos amigos, como os professores Josenir L. Dettoni, Jovanir L. Dettoni, Rodrigo M. Martins e a profa. Lenir L. Dettoni além de conhecer vários professores da UNIR. E, claro, não poderia faltar falar de minhas turmas na Filosofia, no Direito, na Engenharia Elétrica e na Informática e da turma do Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar.
Durante esse meu primeiro semestre em Porto Velho, auxiliei, a distância, na organização do I Colóquio Internacional de Psicologia e Epistemologia Genéticas: Atualidade da Obra de Jean Piaget. No qual participei, ministrando um minicurso com meu orientador e tendo mais uma conquista ao ver uma aluna apresentar comunicação, a qual fora escrita sob minha orientação. Parte do trabalho que realizei a distância foi a editoração gráfica dos Anais e do Caderno de Resumos e, para 2010 estamos trabalhando na organização do Livro que se originará das Mesas que tivemos. Abaixo uma foto com o Dr. Adrián e com a Dra. Alessandra, respectivamente presidente e vice-presidente da Comissão de Organização do Colóquio:
Minhas atividades acadêmicas seguem, ministro uma palestra na 2ª Mostra de Trabalhos Acadêmicos: Repensando Nossa Humanidade do Instituto Metodista da Amazônia. Houve, também, a realização, da UNIR em parceria com a Faculdade Católica de Rondônia, da I Semana Acadêmica de Filosofia de Rondônia, onde, também, ministrei uma palestra sobre "Epistemologia Genética" minha área de pesquisa. Abaixo, uma foto dessa minha palestra na I Semana Acadêmica de Filosofia de Rondônia:
As conquistas não pararam por ai, além das atividades acadêmicas tive o privilégio de iniciar uma interação muito importante com a utilização do Twitter. Com essa ferramenta de microblogging, pude conhecer, primeiramente a Lounge e, logo em seguida uma porção de gente bacana que eu cometeria um pecado se tentasse mencionar a todos, pois com certeza esqueceria de alguem. Claro, já no início deste texto falei de Marcos Souza e da influência que ele teve na escrita do mesmo, ao qual devo, também, a publicação de dois artigos de divulgação filosófica em seu Jornal Eletrônico Rondônia Ao Vivo (sobre Construtivismo e sobre Kant e a Modernidade).
Mas, com toda a certeza, minhas maiores conquistas foram os amigos e amigas que fiz via Twitter. Na realização do II e II #Twittercontro e no @ETC_AC_RO o Encontro de Twitteiros Culturais realizado simultaneamente em Porto Velho e Rio Branco do qual, junto com o Marcos Souza, fui um dos debatedores, contudo o sucesso do evento, como podem ver nesse post, se deveu muito mais à participação ativa dos que lá estavam do que propriamente de nossas ponências. Abaixo eu e Marcos Souza no debate do ETC_PortoVelho:
Como podem ver, tive muitas conquistas em 2009 e com certeza começo um 2010 cheio de perspectivas. É certo que deixei muita coisa de fora desse pequeno relato. Perdoem-me se deixei de mencionar nomes ou se me esqueci de algum fato importante. Contudo, essas são pequenas lembranças que me fizeram uma pessoa muito feliz em meio ao caos que a crise internacional propagava no início de 2009.
Em vista desses e de muitos outros acontecimentos de minha vida em 2009 posso dizer que sou feliz e, muito mais ainda, por ter novos e verdadeiros amigos e por ter reencontrado antigas amizades que se fizeram muito presentes em minha vida. Além, claro, de uma última menção: Maria Leila de Marins Orquizas a razão maior de minha existência e mulher de minha vida, a quem amo e a quem dedico a felicidade toda de 2009 e a todas as conquistas que virão em 2010! E, como não poderia faltar, abaixo uma foto junto da razão de meu viver, no II Twittercontro:
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
1º Encontro de Twitteiros Culturais
Tivemos como debatedores do ETC_PVH eu, Vicente Marçal (@vicentemarcal), filósofo e professor do Departamente de Filosofia da UNIR (Universidade Federal de Rondônia), Marcos Souza (@marcos35anos), jornalista, sócio-proprietário e editor chefe do Jornal Eletrônico Rondônia ao Vivo e mantenedor de dois Blogs, os quais foram mediados pela publicitária e jornalista Wania Ressuti (@waniaressuti).
O Encontro fora organizado por Daiana Souza (@Daianasouza) e por Bethânia Diniz (@beediniz), tendo a participação com um belíssimo testemunho de uso da ferramenta pela primeira.
Sobre como foi bom e bem organizado temos diversos relatos a respeito, por esse motivo o que pretendo é trazer, aqui, o que eu pretendi pontuar na minha pequena digressão sobre o uso da ferramento.
1. Construção coletiva do conhecimento
O primeiro aspecto que levantei, claro, partiu de minha área de formação: A Filosofia. Sou defensor da tese de que nós construímos nosso conhecimento do mundo. Um conhecimento que é construído pelo indivíduo, mas, principalmente, pela comunidade. O Twitter possibilita essa construção.
Claro, não é nada ortodoxo, formal. Mas uma possibilidade de em 140 caracteres, partilhar o em que ponto está sua contribuição para o ponto em debate. Opa, esse é o aspecto, não precisamos ficar fechados em nossos mundinhos, pensando sobre o mundo, mas podemos compartilhar nosso pensamento para que o mesmo tenha contribuições de outros em sua construção.
Eu mesmo já presenciei (e iniciei) algumas trocas de informação que nos fizeram, juntos, construir uma compreensão de determinado conceito. Reproduzir aqui essa frutífera discussão não é o objetivo desse post, mas isso mostra como a ferramenta pode auxiliar na troca, em tempo real (a grande diferença dos foruns de discussão), de informações e a construção coletiva do conhecimento.
2. Construção de uma rede de amigos
O segundo ponto que levantei foi uma experiência pessoal que tive com a ferramenta. Estou a 5 (cinco) meses em Porto Velho-RO, mudei-me com minha esposa para assumir minhas funções de professor na Universidade Federal de Rondônia. E, nesse pouco tempo que estou na cidade já conheço (pessoal e virtualmente) mais pessoas do que conhecia nos dois anos que morei em São Manuel-SP, cidadezinha com pouco mais de 39 mil habitantes, ou seja, 1/10 de Porto Velho.
Normalmente as pessoas dizem que numa cidade pequena é mais fácil de ser fazer amigos, que praticamente todo mundo conhece todo mundo. Mas, posso dizer com toda a certeza de que não! E o que facilitou os meus contatos e o conhecer de novas pessoas, foi o Twitter.
A ferramenta não nos isola socialmente. Pelo contrário, já tivemos o Twittercontro, que diferentemente do ETC, tem a proposta de ser um encontro mais descontraído e não de debates, mas sim de confraternização entre os twitteiros de plantão.
Esses dois eixos foram os que eu me propus a compartilhar com todos no ETC e que fomentou a discussão que se seguiu. Logicamente abrilhantada pela especialíssima ponência de @marcos35anos e do testemunho de uso da ferramenta feita por @Daianasouza.
Foi, realmente, um momento de grande profusão do poder da informação do Twitter. E, em conjunto e no tète-à-tète, pudemos construir nosso conhecimento da ferramenta.
Outros ETC's virão. Esperamos que tragam grandes contribuições não só para o uso da ferramenta, mas para que nos tornemos pessoas melhores.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
formspring.me
Filosofia é parte do instinto ou é algo adquirido do meio?
Adquirido, mas não diretamente do meio, como propõem o empirismo e nem só por pura reflexão como propõem o racionalismo, mas numa profunda interação entre o sujeito que conhece o meio que se dá a conhecer, como propõem o construtivismo. Todo nosso conhecimento do mundo, seja filosófico, científico ou tecnológico, até mesmo os conhecimentos tidos pro fúteis ou inúteis, são fruto dessa interação do sujeito com o meio. Sou defensor da tese de que há uma continuidade entre a inteligencia e os processos puramente biológicos de de morfogênese e de adaptação ao meio. De modo que o nosso conhecimento do mundo é uma construção feita desde o nascimento até a fase adulta.
formspring.me
De que forma a filosofia pode ser propagada nas redes sociais?
Penso que do modo mais genuíno, ou seja, assim como Kant, acredito que não se ensina a filosofia mas sim a filosofar, e é justamente essa a contribuição que as redes sociais podem dar. Ao propciarem uma troca de informações mais intensa que exija dos interlocutores uma capacidade maior de 'filtro' e ponderação, ela vai auxiliar na grande tarefa de filosofar e não na mera transmissão deste ou daquele ensino filosófico. Essa é minha maneira de pensar!


