domingo, 25 de julho de 2010

Viver na justiça

Sempre é necessário relembrar que a busca por justiça passa, necessariamente, pela indignação e denúncia da injustiça que acontecem a nossa volta. Denunciar a injustiça é viver em desacordo com as estruturas sócio-política-econômicas de seu tempo.

Nossa sociedade está profundamente marcada pelo domínio externo do hemisfério norte. Vivemos em um modelo neo-liberal imposto sem possibilidades de libertar-nos. Segundo Darcy Ribeiro para compreendermos esta relação de dominação devemos levar em consideração quatro principais tensões: 1) as disputas entre as potências imperialistas industriais; 2) a oposição entre os povos atrasados e seus exploradores; 3) o antagonismo entre o campo capitalista e o socialista e 4) as tensões inter-socialistas. Estas tensões, foram estabelecidas por Darcy Ribeiro no início dos anos 70, quando ainda existia o socialismo soviético, mas não podemos deixar de ver como são atuais, mesmo entendendo que sem o socialismo soviético as tensões se reduzam às duas primeiras.

Esta conjuntura nos coloca no meio de uma disputa de nós mesmos. Somos objetos da ganância dos países desenvolvidos que nas disputas de mercado acabam por ficar com nossa produção, afinal o melhor por nós produzido é exportado. Pior que isso é que acabamos por ter a necessidade de importar para suprir o mercado interno. Desse modo o círculo vicioso gerador de dependência se eterniza. Sem mencionar o fato que nosso povo não é sequer considerado como mão-de-obra, mas simplesmente massa marginalizada, excedente da força de trabalho que o sistema produtivo modernizado não consegue incorporar. Não consegue e nem tem intenção de incorporar pela extrema especialização especialização que o trabalhador necessita hoje em dia. Não estou, com isso, defendendo a não especialização da mão-de-obra pro mercado de trabalho, pelo contrário. Contudo, o sistema é mais excludente do que includente.

Outra característica do sistema é que aqueles que conseguem ser incorporados ao mercado temem, cada vez mais, o crescimento numérico dos excluídos, pois, com a expansão avassaladora do sistema econômico capitalista neoliberal, as massas marginalizadas deixaram de crescer apenas biologicamente mas, crescem também, por achatamento das classes intermediárias.

Estamos certos de que este processo acontece desde 1492, e que simplesmente somos fantoches nas mãos das nações dominantes, escondidas atrás de uma pretensa política internacional desenvolvimentista. Desenvolvimento que não ocorre, pois não é o que realmente promovem. Não temos condições de desenvolvimento autóctone; se o tentamos o primeiro passo de represália dos países desenvolvidos é o boicote. O que temos então, é uma sociedade fundamentada na injustiça social e econômica.

O sistema é mais sutil do que imaginamos, pois promove, de forma sorrateira e imperceptível, um descompromisso com a vida. Afinal estamos todos na busca de manter nosso meio de subsistência e acabamos por não atender a aqueles que estão a nossa volta. Buscamos, num individualismo exacerbado, legitimar as posses e a acumulação dos bens materiais, não importando a situação do próximo e, assim, justificando o aumento da desigualdade social.

Quando nos rendemos aos ditames do mercado, da exclusão social das maiorias e, principalmente, ao perder a solidariedade como compromisso com dignidade humana, desfigurada por uma sociedade que dá exagerado valor ao capital, nós, enquanto membros dessa sociedade, estamos nos conformando com tal sistema e sendo seu coadjutor, legitimando, assim sua atuação.

Não podemos, é claro, dizer que esta é a regra geral. Percebem-se várias tentativas da sociedade civil organizada para minimizar os flagelos impostos por um sistem individualista e promotor do acúmulo a qualquer custo. Mas há a grande necessidade de que todos se conscientizem do papel solidário que cada um ocupa na sociedade e, assim, tome consciência de sua função e seja a voz que denuncia as ações de injustiça que rebaixa o próximo à condição sub-humana.

Assim, devemos estar prontos para intervir na história, promovendo a justiça e re-estabelecendo as relações justas e a dignidade humana que se caracteriza pela libertação do jugo da opressão de um individualismo egoísta que nos faz pensar que o mundo gira em torno de nosso umbigo e que as pessoas são servis a nossos propósitos. Não devemos, como muitos fazem, relegar a um futuro pós-mortem essa vida boa que podemos ter no aqui agora. Uma vida boa fundamentada no Bem-Estar-Social e na qual compreendemos o verdadeiro sentido da Res-Pública, ou seja, da coisa pública, daquilo que pertence a todos.

Essa modo de viver deve levar em conta o fato de que a vida humana tem precedência. Essa precedência deve ser marcante no modus vivendi da sociedade, pois o ser humano é um todo complexo e sua dignidade humana é um valor, como afirma Kant, inestimável. Assim, temos que agir com o outro como um fim-em-si-mesmo e não como um meio para alcançarmos nossos objetivos.

A sociedade Latino Americana e Brasileira é incrivelmente injusta, impondo a milhões de pessoas a miséria, a exclusão e um modo de vida sub-humano. Relegando a seus jovens uma situação insuportável diante da necessidade de emprego e a escassez do mesmo no Mercado de Trabalho. Portanto, é dever daqueles que pretentem viver numa sociedade justa e solidária denunciar às mazelas estruturais causadas pelo sitema neo-liberal.

Aqueles que almejam viver numa socidade justa e solidária compreendem que estão diretamente ligados a todo o processo histórico em que a justiça social está sendo almejada e não vivem suas vidas como se a dos outros não importasse.

Compreendem que suas ações versam diretamente sobre a transformação de toda a sociedade, para que toda a sociedade onde estiver inserido seja também transformada numa sociedade justa e solidária, por viver de forma justa e solidária.

Diante de tantas mazelas existe uma esperança, que não é meramente futura, mas a partir de hoje: a boa notícia para o ser humano marginalizado e excluído pelo sistema opressor é que existem pessoas comprometidas com a transformação social onde vivem.

Portanto, anunciemos essa utopia que visa dar esperança ao nosso povo sofrido e marcado pelo sistema neo-liberal e injusto. Busquemos realizá-la como sociedade civil organizada, sendo um farol no mar agitado do neocolonialismo que nos é imposto. De onde podemos contemplar a esperança de, juntamente com o todos os seres humanos, vivermos num Reino dos Fins, como vislumbrava Kant.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Recordações–1º ETC

Faz um tempo já que tivemos o 1º Encontro de Twitteiros Culturais, mas vale a pena ver a reportagem que foi feita na época!!

I Encontro de Twitteiros Culturais

domingo, 27 de junho de 2010

II Sarau Filosófico da FCR

No último sábado, 26/06/2010, na Faculdade Católica de Rondônia aconteceu o II Sarau Filosófico.

Uma atividade muito importante além de divertida, que apresenta a Filosofia de uma forma mais descontraída e livre das formalidades acadêmicas.

Uma proposta muito interessante, que reúne apresentações artísticas como a apresentação do músico e compositor regional Bado (foto abaixo), que apresentou músicas próprias e de compositores como Chico Buarque e Gilberto Gil, que tinham tudo a ver com o momento. Mas, principalmente, com suas canções com temáticas regionais de uma preciosidade inestimável, o que mostra que o circuito alternativo de música brasileira tem uma qualidade que está muito distante das produções da indústria cultural midiática.

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Claro, não poderia faltar a apresentação de temáticas filosóficas, afinal não seria um Saral Filosófico se não as tivessemos. Ficou sob minha responsabilidade apresentar uma pequena reflexão sobre a “Atualidade do Pensamento de Platão”. Um desafio e tanto, afinal o pensamento platônico já é complexo de compreender dentro de seu berço cultural/temporal imagina buscar transpô-lo para uma realidade tão distinta e distante tanto no tempo como no espaço como a Realidade Amazônida!!!

Desafio aceito, busquei comparar a preocupação que Platão expressa em seu texto “A República” com a Educação. Nesse texto compreende Platão ser a Educação o meio de transformar as crianças em cidadãos da pólis. Enquanto cidadãos da pólis, cada um tem condições de exercer suas tarefas pelo bem comum, pelo bem da coisa pública. Assim, o paralelo com os tempos atuais é: 1º o filósofo tem obrigação de pensar a Educação no momento histórico-cultural em que está inserido; 2º a preocupação pauta-se em transformar as nossas crianças, enquanto sujeitos da sua própria eduação, em cidadãos comprometidos com o bem público. Assim, temos a responsabilidade de pensar a Educação e suas relações na socidade em que estamos e, assim como Platão, propor medidas práticas para sua atuação. Abaixo, foto do momento em que eu apresenta essa pequena reflexão.

SarauFilosofico26062010-2O prof. Raimundo José apresenta sua relfexão sobre “A Atualidade do Pensamento de Aristóteles”. Seguindo uma linha próxima à minha, apresenta a preocupação de se tornar o conhecimento filosófico algo que transforme a sociedade a partir de nós mesmos. Abaixo foto do momento em que o prof. Raimundo José apresenta sua reflexão.

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Enfim, foi um momento filosófico-cultural, com apresentações de mais músicas com o prof. Gustavo (esse não tenho fotos!!) e momentos ímpares de profunda reflexão filosófica.

Alem do encontro com amigos tão especiais como, na foto abaixo, os twitteiros @douglasvidal e @_celsogomes_.

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Fotos de @douglasvidal do @unigalera

I Semana de Humanidades da UNIR

O Núcleo de Ciências Humanas (NCH) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) divulga a chamada de trabalhos para a I Semana de Humanidades 2010, prevista para ser realizada no período de 30 de agosto a 3 de setembro, e que terá como tema "A construção do sujeito contemporâneo: perspectivas para a Amazônia".

O objetivo do evento é congregar e divulgar o trabalho de pesquisadores (professores, técnicos administrativos e estudantes) do NCH e da comunidade científica em geral. Pretende-se reunir trabalhos de ensino, pesquisa e extensão, das áreas de Ciências Sociais, História, Filosofia, Educação, Letras, Artes e áreas afins.

A I Semana de Humanidades prioriza trabalhos realizados na ótica da interdisciplinaridade, em que as especificidades de cada área ampliam seus olhares no diálogo com outras formas de saber.

Um dos GT’s propostos está na nossa linha de trabalho, i. e., a Epistemologia Genética. Pretendemos congregar pesquisas em Filosofia e Pedagogia com foco na teoria de Jean Piaget. A forma de apresentação será de comunicação oral e terá a publicação do artigo completo nos Anais da I Semana de Humanidades.

Caso tenhas pesquisas nas mais diversas áreas, principalmente, no nosso caso, na Epistemologia Genética, entre no site www.humanidades.unir.br baixe a ficha de inscrição de Comunicação Oral e submeta seu artigo para a Comissão Científica.

Aguardamos seu artigo!

Edufro recebe inscrições para consultores Ad-Hoc

editoraA Editora da Universidade Federal de Rondônia (EDUFRO) está com inscrições abertas para candidatos de todas as áreas do conhecimento para o banco de consultores pareceristas ad hoc da editora.

Podem se inscrever docentes do quadro permanente da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), colaboradores e também docentes de outras universidades ou instituto federal. É preciso que os docentes candidatos a pareceristas tenham titulação de doutor ou mestre e trabalhos relevantes na área em que solicitam inscrição.

A EDUFRO receberá solicitações de inscrição de consultores em fluxo contínuo por meio da ficha de inscrição, disponível para preenchimento on-line aqui. O consultor parecerista deve executar a avaliação de originais de livros para publicação por meio da atividade específica de análise editorial, técnica e metodológica.

Para atuar como consultor ad hoc da EDUFRO o avaliador assume o compromisso de seguir as regras, critérios e prioridades que envolvem cada processo de avaliação de originais de livros para publicação, de maneira a garantir a credibilidade e uniformidade no exercício de suas funções. Todos os pareceristas receberão, semestralmente, certificado de consultor ad hoc da editora.

Para mais informações acesse a chamada 02/2010 para consultores ad hoc da EDUFRO disponível aqui para download ou acesse www.edufro.unir.br

Fonte: www.unir.br

quarta-feira, 19 de maio de 2010

IPHAN lança a 23ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade


O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan está lançando a 23ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, criado em 1987, e que irá premiar as sete melhores ações de proteção, de preservação e de divulgação do patrimônio cultural brasileiro com um troféu, um certificado e R$ 20 mil.

As inscrições estão abertas até o próximo dia 18 de junho e podem ser feitas nas superintendências do Instituto nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Segundo o Superintendente do IPHAN em Rondônia, Beto Bertagna, "o prêmio homenageia o primeiro dirigente do Instituto, e é um reconhecimento às ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, vulto ou caráter exemplar, sejam dignas de registro, divulgação e reconhecimento público."

Segundo Bertagna, o Prêmio está dividido nas seguintes categorias: Apoio Institucional e/ou Financeiro, Divulgação, Educação Patrimonial, Pesquisa e Inventário de Acervos, Preservação de Bens Móveis e Imóveis, Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico e Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial.

Aberto à participação de pessoas físicas e jurídicas, os trabalhos inscritos poderão concorrer somente em uma categoria. Os candidatos devem apresentar as ações na forma de dossiê, datilografado ou impresso em Word, sendo necessário agregar elementos iconográficos, audiovisuais ou qualquer outra espécie de material ilustrativo ou produtos que possibilitem a plena caracterização da atividade, tais como desenhos, fotografias, slides, mapas, cartazes, folhetos, revistas, livros, vídeos, cd roms, cds, entre outros. É obrigatória ainda a apresentação de um resumo da ação, de no máximo duas páginas de 30 linhas, com o objetivo de facilitar sua divulgação junto à imprensa.

As ações inscritas serão pré-selecionadas por Comissão constituída em cada Superintendência do Iphan, composta por representantes das diferentes áreas culturais da região, e presidida pelo Superintendente Estadual. Em seguida, as ações pré-selecionadas nos Estados serão analisadas pela Comissão Nacional de Avaliação, formada pelo Presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, por representantes de instituições do Governo Federal e de outras ligadas à preservação do patrimônio cultural.

O edital com o detalhamento do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade encontra-se à disposição nas Superintendências do Iphan e no site www.iphan.gov.br.

Fonte: Superintendência do IPHAN em Rondônia

domingo, 25 de abril de 2010

Abaixo assinado

Em respeito e defesa da vida animal!

Leiam, assinem e divulguem"

Abaixo assinado em respeito e defesa da vida animal !